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Hipertensão em povos indígenas

 

 

 

A hipertensão tem se tornado um fator de risco para as tribos indígenas, fazendo com que muitos deles desenvolvam a doença quase 10 anos antes do restante da população brasileira. Essa não é a única preocupação: doenças como obesidade e diabetes demonstram sintomas de crescimento nesses povos e é o fruto de um novo trabalho de pesquisa coordenado por Carlos Coimbra Junior e Ricardo Ventura Santos, pesquisadores do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/ENSP/Fiocruz). 'Mudanças sociais, desigualdades e epidemiologia das doenças crônicas não-transmissíveis: Índios Xavante de Mato Grosso' foi uma das pesquisas contempladas no edital Programa Estratégico de Apoio à Pesquisa em Saúde (Papes V) da Fundação Oswaldo Cruz.

 

O objetivo da pesquisa é realizar, pela primeira vez, um estudo, no Brasil, de monitoramento, ao longo de três anos, da evolução das doenças crônicas, enfatizando especificamente as não transmissíveis, com ênfase nas áreas de obesidade, pressão arterial e diabetes mellitus. "Não queremos fazer o trabalho centralizando apenas nos aspectos biomédicos e de acompanhamento da evolução do processo em si. Vamos fazer de forma integrada com a comunidade, buscando associar a investigação a um projeto maior que estamos desenhando, mas que terá um forte componente de participação ativa dos jovens no resgate da alimentação tradicional, buscando uma reeducação alimentar", afirma Carlos Coimbra. Além dos pesquisadores, a pesquisa conta com a participação de James R. Welch (pesquisador visitante da Tulane University, New Orleans, EUA), Maurício Oliveira Gomes de Oliveira (pesquisador visitante) e Aline Ferreira (aluna de mestrado da ENSP).

O trabalho dos pesquisadores com a aldeia já existe há 10 anos. Esse novo projeto se agrega a outras linhas de pesquisa já realizadas, contando sempre com a participação dos índios. Segundo Carlos Coimbra, a proposta de estudo de obesidade e diabetes surgiu a partir de uma preocupação expressa dentro da própria aldeia, uma vez que o problema já vem sendo relatado pelos índios há algum tempo.

"A nossa sensação é que nos povos indígenas no Brasil, em particular nos Xavante, os dados sugerem fortemente que há uma transição em saúde ocorrendo agora, mas que já vem acontecendo há mais tempo na população brasileira em geral. Porém, a intensidade com que isso vem acontecendo é bem maior, inclusive começamos a observar o surgimento de casos de hipertensos e diabéticos pelo menos uma década mais cedo do que se observa na média da população brasileira em geral", destaca o pesquisador. Com isso, muitos índios estão desenvolvendo tais doenças já com 30 anos, diferente da população brasileira, em que a média fica em 40 anos. "

Saiba mais, visitando o site da Fiocruz.

 

 

 

 

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