O objetivo da pesquisa é
realizar, pela primeira vez, um estudo, no Brasil, de
monitoramento, ao longo de três anos, da evolução das doenças
crônicas, enfatizando especificamente as não transmissíveis, com
ênfase nas áreas de obesidade, pressão arterial e diabetes
mellitus. "Não queremos fazer o trabalho centralizando apenas
nos aspectos biomédicos e de acompanhamento da evolução do
processo em si. Vamos fazer de forma integrada com a comunidade,
buscando associar a investigação a um projeto maior que estamos
desenhando, mas que terá um forte componente de participação
ativa dos jovens no resgate da alimentação tradicional, buscando
uma reeducação alimentar", afirma Carlos Coimbra. Além dos
pesquisadores, a pesquisa conta com a participação de James R.
Welch (pesquisador visitante da Tulane University, New Orleans,
EUA), Maurício Oliveira Gomes de Oliveira (pesquisador
visitante) e Aline Ferreira (aluna de mestrado da ENSP).
O trabalho dos pesquisadores com
a aldeia já existe há 10 anos. Esse novo projeto se agrega a
outras linhas de pesquisa já realizadas, contando sempre com a
participação dos índios. Segundo Carlos Coimbra, a proposta de
estudo de obesidade e diabetes surgiu a partir de uma
preocupação expressa dentro da própria aldeia, uma vez que o
problema já vem sendo relatado pelos índios há algum tempo.
"A nossa sensação é que nos povos indígenas no Brasil, em
particular nos Xavante, os dados sugerem fortemente que há uma
transição em saúde ocorrendo agora, mas que já vem acontecendo
há mais tempo na população brasileira em geral. Porém, a
intensidade com que isso vem acontecendo é bem maior, inclusive
começamos a observar o surgimento de casos de hipertensos e
diabéticos pelo menos uma década mais cedo do que se observa na
média da população brasileira em geral", destaca o pesquisador.
Com isso, muitos índios estão desenvolvendo tais doenças já com
30 anos, diferente da população brasileira, em que a média fica
em 40 anos. "
Saiba mais, visitando o site da
Fiocruz.